Responsabilidade

O fato de um texto ser postado neste blog não significa que ele expresse a posição da Rede Minka do Estado de São Paulo. Os textos têm a função de suscitar a reflexão e o debate entre os leitores.

24 de agosto de 2006

Os 80 anos de Fidel - confidencias

Leonardo Boff

O que vou publicar aqui vai irritar ou escandalizar os que não gostam de Cuba ou de Fidel Castro. Não me importo com isso. Se não vês o brilho da estrela na noite escura, a culpa não é da estrela, mas de ti mesmo. Em 1985 o então Cardeal Joseph Ratzinger me submeteu, por causa do livro "Igreja: carisma e poder", a um "silêncio obsequioso". Acolhi a sentença, deixando de dar aulas, de escrever e de falar publicamente. Meses após fui surpreendido com um convite do Comandante Fidel Castro, pedindo-me passar 15 dias com ele na Ilha, durante o tempo de suas férias. Aceitei imediatamente, pois via a oportunidade de retomar diálogos críticos que, junto com Frei Betto, havíamos entabulado anteriormente e por várias vezes.
Demandei a Cuba. Apresentei-me ao Comandante. Ele imediatamente, à minha frente, telefonou para o Núncio Apostólico com o qual mantinha relações cordiais e disse: "Eminência, aqui está o Fray Boff; ele será meu hóspede por 15 dias; como sou disciplinado, não permitirei que fale com ninguém nem dê entrevistas, pois assim observará o que o Vaticano quer dele: o silêncio obsequioso. Eu vou zelar por essa observância". Pois assim aconteceu.
Durante 15 dias, seja de carro, seja de avião, seja de barco me mostrou toda a Ilha. Simultaneamente durante a viagem, corria a conversa, na maior liberdade, sobre mil assuntos de política, de religião, de ciência, de marxismo, de revolução e também críticas sobre o déficit de democracia.
As noites eram dedicadas a um longo jantar seguido de conversas sérias que iam pela madrugada adentro, às vezes até às 6.00 da manhã. Então se levantava, se estirava um pouco e dizia: "Agora vou nadar uns 40 minutos e depois vou trabalhar". Eu ia anotar os conteúdos e depois, sonso, dormia.
Alguns pontos daquele convívio me parecem relevantes. Primeiro, a pessoa de Fidel. Ela é maior que a Ilha. Seu marxismo é antes ético que político: como fazer justiça aos pobres? Em seguida, seu bom conhecimento da teologia da libertação. Lera uma montanha de livros, todos anotados, com listas de termos e de dúvidas que tirava a limpo comigo. Cheguei a dizer: "se o Card. Ratzinger entendesse metade do que o Sr. entende de teologia da libertação, bem diferente seria meu destino pessoal e o futuro desta teologia". Foi nesse contexto que confessou: "Mais e mais estou convencido de que nenhuma revolução latino-americana será verdadeira, popular e triunfante se não incorporar o elemento religioso". Talvez por causa desta convicção que praticamente nos obrigou a mim e ao Frei Betto a darmos sucessivos cursos de religião e de cristianismo a todo o segundo escalão do Governo e, em alguns momentos, com todos os ministros presentes. Esses verdadeiros cursos foram decisivos para o Governo chegar a um diálogo e a uma certa "reconciliação" com a Igreja Católica e demais religiões em Cuba. Por fim uma confissão sua: "Fui interno dos jesuítas por vários anos; eles me deram disciplina mas não me ensinaram a pensar. Na prisão, lendo Marx, aprendi a pensar. Por causa da pressão norte-americana tive que me aproximar da União Soviética. Mas se tivesse na época uma teologia da libertação, eu seguramente a teria abraçado e aplicado em Cuba." E arrematou: "Se um dia eu voltar à fé da infância, será pelas mãos de Fray Betto e de Fray Boff que retornarei". Chegamos a momentos de tanta sintonia que só faltava rezarmos juntos o Pai-Nosso.
Eu havia escrito 4 grossos cadernos sobre nossos diálogos. Assaltaram meu carro no Rio e levaram tudo. O livro imaginado jamais poderá ser escrito. Mas guardo a memória de uma experiência inigualável de um chefe de Estado preocupado com a dignidade e o futuro dos pobres.
Sobre as Eleições...

Este é um ótimo momento para se deparar diante da realidade em que vivemos e refletir sobre nossas ações.
Não apenas devemos fazer isso em relação aos candidatos, mas também sobre nossas próprias atitudes, posições e atos.
Política é saber organizar a sociedade para que, toda ela, seja uma casa onde todos possam caber, sem exclusão, sem miséria, sem exploração. Estamos longe, ainda. Mas podemos mudar o rumo...
E de que forma o faremos...
O voto é uma forma de se amenizar a dor, mas não mudará o rumo.
A denúncia das sujeiras dos candidatos nos ajuda a escolher, mas não mudará o rumo.
O que pode mudar, então?
Um trabalho, ou melhor, uma luta organizada e bem planejada, pensada a partir do acúmulo de experiencias que temos na história, feita por pessoas que despertaram do grande sono atordoante e que perceberam sua exploração e, agora, não aceitam mais deixar que tudo isso continue.
Só através de uma nova organização é que poderemos mudar o rumo.
Entendeu? Então, comente.

Um grande abraço,

Mauro Kano.

14 de agosto de 2006

Filosofia e sociologia passam a ser obrigatórias

http://oglobo.globo.com/online/educacao/mat/2006/08/11/285214592.asp

Filosofia e sociologia passam a ser obrigatórias em mais de 23 mil escolas com ensino médio
Publicada em 11/08/2006 às 17h59m
Globo Online

BRASÍLIA - Mais de nove milhões de estudantes do ensino médio de todo o Brasil vão aprender filosofia e sociologia a partir do ano letivo de 2008. Nesta sexta-feira, o ministro da Educação, Fernando Haddad, homologou decisão do Conselho Nacional de Educação (CNE) determinando o ensino obrigatório das duas disciplinas nas 23.561 escolas públicas e privadas do país. Alguns colégios de 21 estados já oferecem estas aulas, mas terão que se adaptar às novas regras.

A resolução dá prazo de um ano para que as secretarias estaduais de educação regulamentem o tema, estabelecendo a carga horária e as séries em que as duas novas disciplinas deverão ser oferecidas - se apenas em um, dois ou nos três anos do ensino médio.

- As escolas que já tiverem condições de oferecer as disciplinas no início de 2007 estão autorizadas. As que tiverem mais dificuldade e precisarem de mais tempo para abrir concurso para professores podem esperar até o início de 2008, já que o prazo para mudar a grade curricular termina em agosto de 2007 e portanto, no meio do período letivo - explica o titular da Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC), Francisco das Chagas.

"Na óptica da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, os conhecimentos de filosofia e sociologia são necessários ao exercício da cidadania", afirma o texto do parecer do CNE, aprovado no último dia 7 de julho.

Nova regra prevê formação de mais professores
O relator do parecer, o conselheiro César Callegari, considera a decisão uma aposta para que os estudantes tenham discernimento na tomada de decisões e tolerância para compreender a origem das diversidades. Na avaliação da professora Lúcia Lodi, filosofia e sociologia são áreas que cumprem importante papel para alcançar as metas previstas na LDB.

- São matérias que asseguram melhor formação nos estudos para os alunos desenvolverem o pensamento autônomo e crítico - afirma Lúcia.

Na interpretação de Francisco das Chagas, a medida permitirá a ampliação do número de vagas para profissionais de filosofia e sociologia.

- A falta de professores em algumas situações vai se adequar. Com o ensino obrigatório das disciplinas, os cursos de graduação formarão mais profissionais para o setor - adianta.

O vice-presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Lejeune Mato Grosso Xavier de Carvalho, ainda não estimou quantos empregos serão criados para a categoria. Ele afirmou que serão necessários cerca de 30 mil professores para ministrar as duas disciplinas em todo o país, mas boa parte deles já está em sala de aula nas redes cujos currículos já prevêem a oferta.

Leia aqui as opiniões dos internautas e conheça o esquema das escolas que já oferecem as disciplinas. (http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2006/08/10/285214809.asp)

Dados da SEB indicam que 7.898 professores dão aulas de sociologia na rede pública e 10.452, de filosofia. Nem todos, porém, têm formação específica. O MEC apóia ações de formação de professores do ensino médio com iniciativas como o Programa de Formação Inicial para Professores do Ensino Fundamental e Médio e o Programa de Incentivo à Formação Continuada de Professores do Ensino Médio. Veja no site do MEC (http://portal.mec.gov.br/seb/index.php).

As disciplinas de filosofia e sociologia faziam parte do currículo da maior parte das escolas antes do golpe militar de 1964. Depois disso, foram banidas das salas de aula. Em 2001, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, que é sociólogo, vetou lei aprovada no Congresso para tornar obrigatória a oferta das duas disciplinas. O argumento é que faltavam professores e infra-estrutura.

Disciplinas já são oferecidas em algumas escolas
Atualmente, 21 estados já oferecem as aulas. O Censo Escolar de 2005 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC) mostra que há, no Brasil, 7.933.713 estudantes do ensino médio em 16.570 escolas públicas e 1.097.589 em 6.991 instituições particulares. O ensino de filosofia e de sociologia já é obrigatório em Alagoas, Amazonas, Amapá, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins. É opcional na Paraíba e no Rio Grande do Sul.

O Ceará, por exemplo, conta com 911 professores de sociologia e 1.088 de filosofia na rede pública. No Paraná, são 924 e 948, respectivamente. Em Santa Catarina, 975 e 1.050. Em São Paulo, 815 e 2.925.

11 de agosto de 2006

Lista de debates e Orkut

Você faz parte da lista de discussões da Rede Minka? Não! Então mande um e-mail para redeminka-subscribe@yahoogrupos.com.br e aguarde o recebimento de uma solicitação de confirmação do interesse. Para mandar mensagens para a lista (depois de se associar), basta mandar um e-mail para redeminka@yahoogrupos.com.br.
Esperamos sua entrada na lista e muitas mensagens para gerar debates sobre política, eleições, religião e tantos outros temas sociais.

Quem for do estado de São Paulo também pode fazer parte da lista estadual. Neste caso, mande o e-mail para redeminkasp-subscribe@yahoogrupos.com.br. Para os associados mandarem mensagens para esta lista, devem enviar e-mail para redeminkasp@yahoogrupos.com.br.

A Rede Minka também tem uma comunidade no Orkut (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=509739). Se você faz parte desta rede de relacionamento, dê uma olhada na comunidade da Rede Minka, se associe e divulgue.

Vamos tornar a Rede Minka cada vez mais conhecida e atuante na construção de uma sociedade onde haja liberdade e vida para todos, como diz o Projeto de Deus em Jesus Cristo. Eu acredito que o caminho é o socialismo. E você? Vamos debater sobre isso na lista?
Abraço,

Eleições


Caros,
Estamos a menos de dois meses do primeiro turno eleitoral. E a mídia ainda não se deu conta da importância da eleição para os cargos do Legislativo (deputados estaduais e federais). Não percebeu que a corrupção ocorre, principalmente, para atender a pedidos de deputados fisiologistas, que somente pensam em engordar seus bolsos e nada fazem em benefício da população. Este tipo de deputado vota de acordo com o “suborno” que recebe dos governos e não cumpre a função de fiscalizar o Executivo e elaborar projetos e leis que regulamentem as relações sociais e permitam que haja democratização da riqueza, das terras, da tecnologia etc. Somente alguns (os detentores do capital), são beneficiados pelos fisiologistas. E o fosso social entre as classes continua grande e aumentando.

Ou será que a mídia se deu conta disso, mas para ela também é interessante manter os fisiologistas na Câmara Federal e nas assembléias legislativas? O que se sabe é que, mais uma vez, ela somente dá atenção aos candidatos aos cargos do Executivo. Nesta campanha, até mesmo aqueles que disputam uma vaga no Senado e nos governos dos estados estão menos lembrados. Parece que, para a mídia, a única coisa que importa é a eleição presidencial.

Quando começar a propaganda gratuita, os governadores terão mais espaço. Mas, o tempo destinado aos deputados é ridículo. Apenas aqueles que têm dinheiro conseguem elaborar materiais próprios para a divulgação de suas propostas.

Mas, existe uma forma para conseguir superar esta falta de atenção da mídia em relação aos deputados: a internet. É lógico que ainda é um meio disponível a poucas pessoas, mas dados apontam que os brasileiros estão entre os maiores usuários da rede em todo o planeta. Perto do número de pessoas que possuem televisores, é um número muito pequeno, mas é uma alternativa.

É lógico que, além desta divulgação é preciso continuar a realizar reuniões com amigos e conhecidos para debater sobre a conjuntura do país, economia, política e eleições, participar de atividades das PJs e de movimentos populares/partidos que abram espaço para o debate e para a expressão de nossas idéias. É preciso apresentarmos candidatos que se propõem a combater a política realizada há muito tempo.

A proposta, até mesmo para ajudar a fortalecer as Pastorais da Juventude (PJ, PJE, PJMP e PJR), é que as pessoas apresentem candidatos ligados, ou que tiveram ligação com alguma das PJs, independente do partido do qual fazem parte. Mas, lembrem-se: não basta ser ligado às PJs para que o candidato seja bom. Ele precisa estar comprometido com a política limpa, sem fisiologismo, e estar disposto a contribuir com a organização das PJs e dos movimentos populares.

Mas, também não basta votar em candidatos comprometidos. É preciso acompanhar e contribuir efetivamente com o mandato. Comparecer às urnas é importante, mas é preciso ajudar o mandato a exercer pressão sobre os atuais detentores do poder para que a democracia ocorra verdadeiramente. Caso contrário, o mandato será voto vencido nas plenárias e nada será realizado e nem a organização pastoral/popular será efetivada. É isso mesmo, o mandato deve ser apenas a base de apoio para a organização pastoral/popular. Isso ajuda a evitar, inclusive, a institucionalização do mandato, ou que o representante tome atitudes por si, sem consultar a base.

Não tenham medo! Utilizem a internet para divulgar candidatos de sua confiança. Sua contribuição pode ajudar na decisão do voto de pessoas que ainda não se decidiram e ajudar a minimizar o fisiologismo na Câmara Federal e nas assembléias legislativas. Aproveite e faça um comentário sobre este texto no blog da Rede Minka – SP (http://redeminka-sp.blogspot.com/).

Rede Minka – SP
Equipe de Comunicação